Archive Pages Design$type=blogging

fbbox/https://www.facebook.com/revista21

Detinha Avelino: Comboio da Paixão

Dia 1  Tinha começado a trabalhar num enorme supermercado em Anjos e adorava estar lá. O único inconveniente era não poder ir de ...





Dia 1 
Tinha começado a trabalhar num enorme supermercado em Anjos e adorava estar lá. O único inconveniente era não poder ir de carro, pois o trânsito da Margem Sul para Lisboa era infernal em hora de ponta. Sou muito metódica e talvez por isso viajasse sempre no segundo piso da quarta carruagem. Parecia ter sempre um lugar vago pra mim ao pé de um senhor de óculos e pasta castanha. Sentava-me no banco da frente desse senhor, que estava sempre a dormir. Impressionava-me alguém fechar os olhos a tamanha beleza que era a ponte 25 de Abril ao amanhecer. Percebi nesse dia que meu companheiro do banco da frente estava desperto quando o senti roçar minha perna. Ele era um bocado grande e tinha o costume de estar com as pernas abertas. A mim só me restava a alternativa de meter minhas pernas no meio e aproveitar a viagem. Hoje, ele parecia especialmente inquieto. Desviei os olhos da ponte e o surpreendi a olhar disfarçadamente para minhas pernas. Por picardia, abri ligeiramente as pernas ao cruzá-las. A saia preta, justa e curta subiu um pouco e vi que ele pôde entrever a meia liga preta. Sei que agora vão pensar: "Então mas vais trabalhar ou o quê?" Mas a resposta é muito simples: uso farda no trabalho e, já que vou trocar de roupa, nada me impede de sair de casa como eu gosto. Vi que meu companheiro se mexeu incomodado e meteu a pasta sobre as pernas. Humedeci os lábios a pensar que talvez ele se estivesse a tapar por ter sentido meus olhos a passearem por sobre suas calças de fato. O sol a essa hora começava a apertar e pude abrir um pouco meu casaco. Vestia uma fina camisa de seda branca e o sutiã de renda podia ser facilmente notado. O homem mudou outra vez de posição e dessa vez pude ouvir um suspiro. Aquele jogo de gato e rato estava a excitar-me, e isso logo pela manhã. Pensei em parar o jogo e mudar de poltrona, mas uma outra vista de olhos àquelas calças mostrou-me que o sisudo senhor estava agora com problemas para disfarçar uma erecção. Não contive um lamber de lábios ao pensar em como seria estar sozinha naquela carruagem com ele. O tipo era atraente, um pouco mais forte e com ar inteligente. Eu deveria descer em Entrecampos e sabia que ele também descia ali. Pensei na loucura que seria se eu simplesmente anotasse meu número num papel e entregasse a ele. Não. Não o faria. Desci e fui apressadamente para o trabalho.

Dia 2
Outra manhã a correr. Entrei na quarta carruagem que hoje estava especialmente lotada. À frente do meu amigo estava um lugar vago, reservado agora pela sua pasta castanha. Fiquei surpresa por nunca ter reparado que durante semanas meu lugar sempre estivera à minha espera. Sentei-me de frente para ele. Hoje não havia mais sono a fingir. Ele olhava-me de cima a baixo e pareceu inspirar meu perfume quando me sentei à frente dele. Passara a noite a pensar naquele tímido senhor. Estava excitada, louca para jogar o mesmo jogo de gato e rato, mas percebi que hoje ele estava diferente, mais decidido, mais frontal. Pousou a pasta no chão, ao canto da poltrona, e pôs-se à vontade. Pareceu-me que propositadamente se esticava e que as calças do fato preto estavam mais justas. Corri os olhos pelas pernas dele, grossas, e pelo exagerado volume que já se notava nas calças. Ai, alguém tinha acordado faminto. Corri a língua pelos lábios e um calor surpreendente correu pelo meu corpo quando senti que ele tocava minha perna com um pé. Meus mamilos endureceram e se fizeram notar. Eu odiava que isso acontecesse, era como uma sirene de ambulância, toda a gente notava. Comecei a ficar mais tímida. Afinal, de caçadora estava agora a virar caça. Joguei meus cabelos louros para trás, pois sentia um calor estranho, de dentro para fora. Vi que ele olhava agora fixamente para meu pescoço e colo. Pude sentir algo que vai parecer totalmente estranho, mas sim, sentia o cheiro da excitação dele e essa, misturada a minha, estava a pôr-me doida. Meus joelhos tremeram e tive dificuldades em descer do comboio. O homem caminhava calmamente ao meu lado. Não nos falávamos, não nos tocávamos, mas parecia haver uma energia poderosa a unir-nos de forma palpável. Entrei na casa de banho, talvez na tentativa de fugir do inusitado da situação, e fiquei muito espantada quando vi que ele entrou atrás. Ainda sem uma palavra, segurou meus ombros, encostou-me à parede e me beijou. Meu corpo estava em choque, a escaldar em baixo, a gelar nas extremidades. Medo, excitação e um incrível desejo de me perder naquele beijo. Tudo foi breve. Mal abri os olhos, vi o sorriso vitorioso dele e já estava só. Apenas um beijo e eu me vi perdida, com joelhos trémulos e totalmente húmida e desesperada por mais.

Dia 3
Outra manhã no comboio. Estava sem coragem de sentar no mesmo lugar e por isso fiquei de pé. Meu amigo levantou-se, cedeu o lugar a uma senhora grávida e pôs-se atras de mim. Levantou o braço para segurar na pega e roçou meu corpo de forma discreta. O comboio hoje estava lotado, talvez por causa de uma greve de outros transportes, e todos tentavam ocupar o mesmo espaço. Senti um empurrão de um homem que descia à pressa e fui amparada por meu amigo. Nossos corpos se tocaram, em toda sua extensão. Pude sentir sua erecção a roçar no meu rabo. Cerrei os olhos por um momento e dei um passo em frente. Outro solavanco da carruagem atirou-me para trás. Eu tinha mesmo que pôr um ponto final naquilo. Estava com as pernas bambas. Mais um pouco e não conseguiria sair dali sem constrangimento. Meti discretamente a mão para trás. Podia dizer que a intenção era afastá-lo, mas sou sincera: acariciei-lhe o pénis. Estava duro, quente e senti-o latejar. Subi a mão por nossos corpos e a coloquei sobre meus lábios. Aquele homem colado a mim estava a matar-me. Nossa paragem chegou e rapidamente a carruagem se esvaziou. Descemos juntos. Desta vez ele simplesmente colocou uma mão sobre meu braço, conduzindo-me para fora da estação. Eu, que sempre fui dominadora, estava muda e submissa. Caminhámos mais um pouco e perguntei-lhe o nome, "Rui", disse ele. Fiquei tentada a mentir o meu, mas não faz parte do meu feitio. Disse-lhe que me chamava Detinha. Na rua, sem se importar com tanta gente a passar, beijou-me outra vez. Aquilo assustava-me, pois parecia que começávamos algo de trás para a frente, mas minha excitação era tanta que desejava desesperadamente colar o meu corpo ao dele e não deixar que ele terminasse o beijo. Sentia sua língua explorar minha boca e chupar meus lábios enquanto suas mãos me seguravam pela nuca e quadril. Escutei um gracejo de um jovem que passava, algo como “vão para um quarto”, e quase morri de vergonha. Desviei o rosto e coloquei as mãos no peito dele. Decidida, rabisquei meu número num papel e meti-o no bolso dele. Fugi rua fora. Estava atrasada para o trabalho e minha cabeça andava a rodas. E se ele não ligasse? E se ligasse?

Dia 4
Outra manhã no comboio. Desta vez, o lugar do Rui estava vazio. Fiz todo o trajecto a pensar o que fizera de errado. Desci em Entrecampos na hora do costume e, ao virar a rua para meu trabalho, percebi que um carro escuro me seguia. Virei-me e reconheci o condutor como sendo meu amigo do comboio. Ele disse-me para entrar. Ainda extasiada por vê-lo, obedeci. Rui conduzia com segurança e, ao observar suas mãos fortes a trocar as marchas, me pus a pensar que mais aquelas mãos fariam bem. Ele explicou-me que tinha a intenção de raptar-me mas não queria que eu tivesse problemas no trabalho. Disse-me para telefonar a avisar que não iria. Foi o que fiz. Aleguei uma forte constipação, pedi desculpas e desliguei. Fomos para um motel no Montijo. Deixei que ele conduzisse. No quarto, eu estava um bocado constrangida. Aquele era, afinal, um estranho. Eu só sabia o seu primeiro nome. Algo em mim revoltou-se com a situação. Eu era forte, decidida e sempre fazia o que queria sem procurar desculpas. Encarei Rui de frente e, desta vez, beijei-o eu. Lambi seus lábios macios, invadi sua boca e tentei fazer o que de melhor faço: dominar. Mas Rui apercebeu-se disso e pareceu não ficar satisfeito. Empurrou-me para a cama e mandou-me calar, disse que ali não mandava. Começou a tirar lentamente os meus sapatos. Cheirava e beijava minhas pernas, massajando meus pés. Estava ajoelhado entre minhas pernas, mas mesmo assim era muito claro quem tinha o controlo. Relaxei e decidi disfrutar. Tirou lentamente minhas meias finas, dando especial atenção à liga preta por baixo da saia. Subiu lentamente os lábios pelas minhas pernas e… avançou para a minha boca. Eu estava louca de tesão e pedi que ele tirasse a sua roupa. Ele sorriu de forma irónica e nem sequer respondeu. Continuava sua lenta exploração, beijou meu pescoço e ombros. Tocou meus seios com as mãos delicadas, por cima da blusa. Desapertou botão a botão e tocou em cada milímetro de pele com a boca. Quase gritei quando senti sua língua em meus mamilos. Tinha a boca quente, húmida e a língua macia. Descia a boca por minha barriga, pelo umbigo e demorou-se mais tempo na minha virilha. Eu me retorcia, gemia, gritava. O simples facto de ele nem sequer ter tirado a roupa dava-me a certeza da urgência dele em tocar-me e isso me enlouquecia mais do que o próprio toque. Senti sua língua tocar o centro do meu prazer e fiquei embaraçada por saber que estava totalmente molhada. Ele entrou em deleite e dizia: "Meu Deus, o que é isso, zuca?" Mas até mesmo esse nome pejorativo me deixava excitada vindo da boca dele. Senti que não aguentava mais, pedi, implorei que ele tirasse a roupa, que me deixasse tocá-lo, mas ele, insensível, segurou minhas mãos e continuou a chupar, a disfrutar e a tirar toda minha sanidade. Não consegui segurar mais e fui mesmo surpreendida por algo que jamais havia acontecido: uma ejaculação. Não sabia se ria ou chorava de vergonha ao ver meu amigo com a barba completamente molhada e uma poça na cama onde eu estava. Ele parecia mais extasiado do que eu e rapidamente beijou minha boca, compartilhando comigo meu próprio sabor. Ficámos assim, aos beijos, com ele a tentar acalmar-me. Mas de calma não tenho muito e cedo estava por cima dele a despir toda aquela roupa que num minuto me excitava e no outro me enervava. Não foi difícil cavalgá-lo estando tao molhada e, por ter gozado de forma tão explosiva, tinha a coninha ainda a pulsar, como a implorar para ser penetrada. Não conseguimos segurar por muito tempo a nossa paixão. Meu gozo foi pleno, mas dessa vez não o banhei com uma ejaculação. Rui gritou, como um guerreiro vitorioso gritaria após a batalha. E essa era a melhor música que tinha ouvido. Passámos o dia assim, em descoberta e exploração. Despedimo-nos e combinámos um encontro assim que eu estivesse de folga.

Dia 5
Dentro do comboio, meu lugar reservado me esperava. O cavalheiro parecia dormir. Sentei, meti minhas pernas no meio das dele e rocei de leve. Ele não aguentou e abriu os olhos. Por picardia, cruzei as pernas, não tão discreta, não tão rápida, não tão vestida. As viagens de comboio tornaram-se muito mais excitantes e todos os dias, ao sair do trabalho, encontramo-nos, fazemos amor e criamos paixão. Não temos compromisso um com outro, a não ser a pura e simples troca de prazer. Chego sempre a sorrir ao trabalho e todos me perguntam porquê tanta felicidade. E eu respondo: "Os comboios são o melhor meio de transporte. Chega-se sempre descansada e feliz para onde quer que se vá."


Por: Detinha Avelino
Detinha Avelino é uma escritora brasileira, residente em Lisboa. É autora dos livros eróticos Seduzca Me e Pequeña Y Rara, escritos em espanhol, assim como de Filha do Destino, sobre o qual pode encontrar mais informações aqui.

COMENTÁRIOS

BLOGGER: 3
Loading...
Nome

Banda Desenhada Cinema Comportamento Concurso Novos Autores Detinha Avelino Entrevista Eurovisão Eva Duarte Fotografia Jogos Juvenal Letras Livros Música Opinião Óscares 2013 Óscares 2014 Óscares 2015 Óscares 2016 Perfil Revista 21 Revistas Secret Story Sexo Teatro Tecnologia Televisão Web
false
ltr
item
Revista 21: Detinha Avelino: Comboio da Paixão
Detinha Avelino: Comboio da Paixão
https://4.bp.blogspot.com/-LT3M1jJv-mM/VsoBiA-33kI/AAAAAAAAoGI/GECVU573Y_o/s640/detinha-avelino-sexo-comboio-revista21.jpg
https://4.bp.blogspot.com/-LT3M1jJv-mM/VsoBiA-33kI/AAAAAAAAoGI/GECVU573Y_o/s72-c/detinha-avelino-sexo-comboio-revista21.jpg
Revista 21
http://www.revista21.net/2016/02/detinha-avelino-comboio-da-paixao.html
http://www.revista21.net/
http://www.revista21.net/
http://www.revista21.net/2016/02/detinha-avelino-comboio-da-paixao.html
true
6702655318561828439
UTF-8
Nenhuma publicação encontrada VER TODOS Ler mais Responder Cancelar a resposta Eliminar Por Início PÁGINAS PUBLICAÇÕES Ver todos RECOMENDADO PARA SI CATEGORIA ARQUIVO SEARCH Nenhuma publicação encontrada com este critério Back Home Domingo Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez agora mesmo há 1 minuto $$1$$ minutes ago há 1 hora $$1$$ hours ago Ontem $$1$$ days ago $$1$$ weeks ago Há mais de 5 semanas